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Da exclusão à inclusão: onde estamos e por onde queremos ir?

Ao longo da história, pessoas com deficiência foram tratadas de diferentes formas. Na antiguidade, gregos e romanos condenavam a morte ou ao abandono em florestas as crianças que nasciam com alguma deficiência, pois entendiam que essas nunca se tornariam adultos produtivos de acordo com o modo de vida da época. Com o passar dos séculos, mudanças econômicas e culturais fizeram com que as pessoas com deficiência deixassem de ser perseguidas, porém passaram a sofrer com a segregação: eram afastadas do convívio social e colocadas em instituições de caridade onde passavam toda a vida.

A sociedade continuou passando por mudanças e em meados do século XX, passa-se a falar de integração, neste momento, acreditava-se que as pessoas com deficiência deveriam estar integradas no mesmo ambiente em que pessoas sem deficiência, porém muitas ações baseadas no princípio da integração previam que as pessoas com deficiência é que deveriam se adequar para atingir um padrão de “normalidade” imposto pelas pessoas sem deficiência.

Posteriormente, surge a ideia de inclusão, que tem como objetivo a participação das pessoas com deficiência na sociedade a partir da valorização de suas potencialidades e respeitando suas necessidades, tendo como principal estratégia a ideia de que as pessoas sem deficiência devem se adaptar para que a inclusão seja efetiva. Isso quer dizer que aspectos da vida como educação, acesso ao mercado de trabalho, lazer, acesso a cuidados de saúde, que até então foram pensados exclusivamente por e para pessoas sem deficiência devem ser reestruturados para que as pessoas com deficiência vivenciem todos esses processos com autonomia.

A aceitação e a valorização da diversidade, a cooperação entre diferentes e a aprendizagem da multiplicidade são, assim, valores que norteiam a inclusão social, entendida como o processo pelo qual a sociedade se adapta de forma a poder incluir, em todos os seus sistemas, pessoas com necessidades especiais e, em simultâneo, estas se preparam para assumir o seu papel na sociedade.” (Silva, 2009)

Esse processo de inclusão que prevê a adaptação da sociedade, está intimamente ligado à ideia de acessibilidade. E a acessibilidade pensada não apenas do ponto de vista da estrutura física das vias públicas e prédios, não basta construir rampas e instalar piso tátil. Garantir acesso também diz respeito às leis e políticas públicas para garantia de direitos e fiscalização para que sejam cumpridas. Acessibilidade também depende de nós, sociedade civil em nosso cotidiano, respeitando as vagas especiais, os assentos preferenciais, lutando ao lado das pessoas com deficiência para que participem plenamente da vida comunitária. Combatendo em nós e naqueles com quem convivemos, atitudes capacitistas como por exemplo duvidar das capacidades profissionais de alguém com deficiência, reduzir a pessoa a sua deficiência invalidando todos os outros aspectos de sua vida, tratá-la como um ser “anormal” que precisa ser “corrigido” ou tratá-la de forma infantilizada. São muitos os exemplos de atitudes capacitistas que ocorrem no dia a dia. Por vezes o capacitismo é facilmente identificável, porém, algumas atitudes foram tão naturalizadas pelas pessoas sem deficiência que estas não percebem o quão problemáticas são tais atitudes.


Já parou pra pensar que a forma como tratamos as pessoas com deficiência pode fazê-las sentirem-se desconfortáveis e até mesmo inibir sua participação em sociedade? Por isso é fundamental, ouvir o que essas pessoas têm a dizer, o que as incomoda e como preferem ser tratadas.

Por fim, uma sociedade verdadeiramente inclusiva depende do esforço conjunto de todos nós! Assim, considerando todo o trajeto percorrido até aqui pelas pessoas com deficiência, podemos escolher de forma coletiva qual modelo de sociedade queremos construir e responder a pergunta “por onde queremos ir agora?” * Texto revisado por uma pessoa com deficiência

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