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Lesões no ballet clássico: Dor anterior no tornozelo


Lesões e dores no tornozelo de um bailarino clássico são muito comuns, e podem se dividir entre traumáticas (como uma entorse após um grande salto, por exemplo) e atraumáticas (principalmente relacionadas ao uso excessivo). A dor anterior no tornozelo pode ser consequência de ambas situações, e chamamos de “impacto anterior”.


Primeiramente, precisamos entender um pouco a anatomia e a biomecânica básica do tornozelo:




Temos três ossos principais que formam a articulação do tornozelo: a tíbia, a fíbula e o tálus. O tálus é um osso que não possui nenhuma inserção muscular, e é estabilizado, portanto, somente por estruturas não contráteis – os ligamentos.


Quando fazemos flexão plantar (ponta do pé – “pointe”) e dorsiflexão (“flex”) do tornozelo, esses ossos se movimentam em conjunto para permitir que os movimentos articulares aconteçam. O que acontece é que durante a flexão plantar do tornozelo – basicamente – o tálus se anterioriza em relação à sua posição neutra, e durante a dorsiflexão do tornozelo, ocorre o oposto, o tálus se posterioriza. Nas duas situações, a mobilidade do tálus garante melhor amplitude e liberdade de movimento.

Compreendendo esta parte, por que é comum que bailarinos (e outros atletas que trabalham com muito movimento de tornozelo) sintam dor na linha articular do tornozelo?


Os mecanismos principais são:


1. A posição excessiva e repetitiva de flexão plantar do tornozelo (pointé) faz com que o tálus modifique sua posição neutra para uma posição mais anterior, o que dificulta a posteriorização do talus durante a dorsiflexão do tornozelo (flex) – movimento que também é muito utilizado pelos bailarinos nos pliés, por exemplo – gerando impacto entre a tíbia e o tálus durante sua realização.


2. Déficits de rotação externa do quadril (en dehors) que são compensados pela rotação excessiva do tornozelo, levando ao estiramento e compressão das estruturas anterolaterais do tornozelo de forma a contribuir também para o desenvolvimento do impacto.


3. Entorses de tornozelo repetitivos e/ou não tratados também podem alterar a biomecânica normal da articulação causando frequentemente a indesejada anteriorização do tálus, favorecendo o desenvolvimento do impacto entre a tíbia e o tálus.

Como se faz o diagnóstico?


Geralmente, atletas com impacto anterior no tornozelo relatam um histórico de múltiplos entorses de tornozelo e queixas de dor na região anterior do tornozelo (com piora na realização de dorsiflexão com carga – plié ou aterrissagem de grandes saltos) acompanhado algumas vezes de edema (inchaço). Algumas vezes pode não haver histórico de múltiplos entorses, mas queixam-se de dor progressiva durante os treinos.


Os principais achados na avaliação se relacionam à sensibilidade excessiva e esporões na região da interlinha articular do tornozelo, principalmente quando a palpação é feita em flexão plantar do tornozelo; e redução da dorsiflexão de tornozelo com carga, com presença de sintomas.


Qual o tratamento?


O tratamento pode ser conservador ou cirúrgico. A fisioterapia se enquadra no tratamento conservador.


Ainda não há um consenso na literatura científica sobre qual é o melhor tratamento para o impacto anterior do tornozelo, por isso se torna ainda mais importante uma avaliação minuciosa para direcionar o tratamento caso a caso. O fisioterapeuta deve avaliar a forma como o bailarino realiza os movimentos, corrigindo posicionamentos e facilitando ativação de determinados músculos, para garantir maior estabilidade ativa durante os passos. Também pode avaliar se há uma sobrecarga de ensaios, que também podem causar lesão por overuse.


De todas as formas, não espere para procurar ajuda de um fisioterapeuta! A prevenção e tratamento precoce são as melhores ferramentas para diminuir riscos de dor e lesão.



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